E no centro do vale, morava um jovem chamado Teodoro.

O velho riu com bondade.

Teodoro acordou com o coração pesado. Naquela tarde, foi ao mercado. Diante dos 45 pães, ele sentiu tontura. Fechou os olhos, apontou o dedo e pegou o primeiro que tocou. Era um pão integral simples. Caminhou até o caixa sem olhar para trás.

— Você se arrepende de não ter virado fotógrafo? Ou de não ter casado com a outra?

Certa noite, ele sonhou com um jardim que tinha mil portas. Cada porta levava a um futuro diferente: médico bem-sucedido, músico pobre mas feliz, pai de três filhos no campo, viajante solitário… Teodoro andava de uma porta a outra, abrindo, fechando, sem nunca entrar. No fundo do jardim, um velho de olhos claros o observava.

Seis meses depois, Teodoro não era o homem mais rico ou mais realizado do vale. Mas, ao entardecer, sentado na varanda com um café qualquer (não o melhor, mas quente e seu), ele sorria.

Teodoro não era infeliz. Mas também não conseguia se sentir completo. Cada manhã, ao escolher entre 23 variedades de suco de laranja, ele já sentia um aperto no peito. E se o suco de laranja com manga fosse melhor? E se o orgânico fosse mais saudável, mas o de polpa grossa fosse mais saboroso? Ele saía da prateleira com duas garrafas, devolvia uma, pegava outra, até que o balconista suspirava.

— Tenho medo de errar — respondeu Teodoro.

— Você já errou. Errou ao acreditar que existe uma porta certa. Enquanto você examina as mil opções, o tempo passa. Lá fora, a vida não espera.

— Moço, são 8h15.